31 de março de 2014

[Economia] Brazlândia: cresce segmento de turismo, mas carro-chefe da economia ainda é a produção agropecuária


Brazlândia é o maior produtor de morangos do Centro-Oeste e o sétimo do País
da Redação

A cidade de Brazlândia, no Distrito Federal, tem comemorado o boom de desenvolvimento pelo qual passa nos últimos anos. Pesados investimentos do setor público em conservação e pavimentação de vias e suporte técnico à produção agropecuária, transformaram a região na maior produtora de morangos do Centro-Oeste e, como consequência, incrementaram o turismo de eventos na cidade. Outras culturas de destaque na Região Administrativa são o tomate e a goiaba.

Levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal – Emater/DF – mostram que 34% de tudo o que é consumido no Distrito Federal, é produzido por aproximadamente 2,8 mil propriedades rurais em Brazlândia. O morango é o carro-chefe e a cidade hoje é a sétima maior produtora da fruta no País.

E foi justamente essa identidade com a olericultura que levou Brazlândia a ser destaque no cenário dos grandes eventos nacionais. Desde 1996, acontece no município a Festa do Morango. Criada pela ARCAG – Associação Rural e Cultural Alexandre de Gusmão, festa vai para sua 19ª edição em 2014. No ano passado, mais de 100 mil turistas passaram pelo evento, atraídos por festivais de receitas e shows artísticos. Este ano o número deve dobrar e, segundo a organização, atingir a casa dos 200 mil.

E para atender a demanda da festa, os agricultores já estão se preparando.
O produtor Shoji Saiki (D),conta com o apoio técnico
da Emater/DF
Segundo o produtor de morangos Shoji Saiki, a produção de morangos está na fase de plantio desde fevereiro, para atingir o pico de produção em agosto, quando acontece a Festa do Morango. “ A Festa do Morango é uma forma de divulgar a produção local e junto a ela, temos a exposição agrícola de Brazlandia, onde fazemos amostra de toda a produção da região. Com isso, todo o comércio local tem benefícios”, avalia Saiki. As principais variedades do morango são o Dover, Sweite Charslie e Oso Grande, os dois últimos conhecidos pelos seus deliciosos sabores; mas é a variedade Dover a mais cultivada. A produção de morangos em Brazlândia é exportada para Salvador, Goiânia, Belém e Manaus.


 
Turismo


Não só o segmento de eventos ganhou impulso com a Festa do Morango. Outras áreas do turismo também passaram a registrar presença na receita da RA. Pela diversidade de paraísos naturais encontrados na região de Brazlândia, é cada vez maior a busca por pousadas e áreas de visitação ecológica. Locais como Chapada Imperial, Barra do Dia, Paraíso na Terra e as cachoeiras de Mumunhas e Poço Azul são opções de destinos para o ecoturismo e o turismo rural, o que levou a administração a criar, em 2012, o Centro de Atendimento ao Turismo.


(Matéria produzida como parte da ATPS da disciplina de Jornalismo Político e Econômico pelos alunos Bruna Kely [6450288776], Rafaela Pereira Leite [6814002968], Daniel Xavier dos Reis [681401722], Ricardo Henrique Vaz [6814016226], Luciano Beregeno [6891503696], Jaime Martins [6814002885], Ewerton de Oliveira Silva [6620351849])

17 de março de 2014

Por trás da matéria: Escândalo dos planos de saúde no Senado pauta grande imprensa no início de Março

Erich Decat
Apesar da luta pela transparência no uso do dinheiro público ser uma crescente desde a redemocratização do País em 1985, não são raras as chamadas “Caixas Pretas”- uso dos recursos públicos com pouco ou nenhum controle de legalidade e publicidade – principalmente nos poderes Judiciário e Legislativo. No dia 11 de março, os repórteres Erich Decat e Fabrício Fabrini, do jornal O Estado de São Paulo, conseguiram entreabrir uma dessas caixas: as despesas do Senado no reembolso dos senadores com os gastos médicos e odontológicos. Publicada no dia 11 de março, a matéria mostrou que até mesmo Demóstenes Torres, cassado em julho de 2012, ainda se beneficiava do plano de saúde da Casa. A reportagem foi repercutida pelos principais veículos do País, mas nenhum outro investigou o assunto nos dias que se seguiram. Com isso, Decat e Fabrini pautaram a grande mídia e dominaram a editoria de Política na semana em que o assunto repercutia. A Redação do Observatório conversou com Decat sobre a matéria, suas peculiaridades e as dificuldades de se conseguir acesso à Caixa Preta do Senado.

OPE: Como foi produzir uma matéria de grande importância como essa?
Erich Decat: A questão de ser uma matéria de “grande importância” é relativa. Ela teve uma certa repercussão, o que é sempre bem-vindo, mas o importante é se manter sempre focado.

OPE: Sua maior dificuldade?
Erich Decat: Ao ter acesso a alguns dados sigilosos dos gastos com saúde do senadores e ex-senadores o grande desafio inicial foi fazer uma filtragem das informações que detínhamos para termos a exata noção e dimensão do que se tratava. No material que tivemos acesso constam documentos oficiais referentes ao desembolso feito pelo Senado aos senadores e ex-senadores entre 2010 e 2013. Entre os documentos estão os relatórios de despesas; perícia médica; perícia odontológica; pagamento de clínicas conveniadas; e autorização prévia de empenho. Ao todo foram analisados 7.914 arquivos distribuídos em 2.865 pastas. Pode haver outras informações sobre o tema que ainda não foram descobertas? Pode. Há ainda várias “caixas pretas” tanto no Senado quanto na Câmara do Deputados que ainda não foram abertas. Após fazermos uma “garimpagem” nos arquivos montamos um pré-roteiro com possibilidades de publicações, nada definitivo, uma vez que ainda era necessário aprofundar e realizar a checagem das informações pré-selecionadas, além ouvir o “outro lado” para tentar esclarecer algumas dúvidas. Um exemplo do que estou falando:  Um dos documentos que tivemos acesso revela que um determinado ministro, que se licenciou do Senado para ocupar uma cadeira na Esplanada, pediu em 2012 o reembolso de R$ 2.500 para pagar um tratamento com Botox. Ou seja, supostamente tínhamos em mãos mais um “escândalo” do Senado em que se estaria usando recurso público para pagar um tratamento estético de um senador. Imoral, não é mesmo. Mas essa premissa era falsa!!! A Toxina Botulínica, popularmente chamada de Botox, também pode ser utilizada em tratamentos neurológicos como paralisia cerebral, trauma medular, paraplegia, entre outros. E o nosso “personagem” tinha passado por problemas de saúde que requeriam o uso do “Botox” para fins medicinais. A não checagem dessa hipótese levaria a matéria “de um grande furo” para “um grande desastre jornalístico”.  Chegamos a encontrar um outro exemplo de uso de Botox, que originou uma das matérias, mas neste caso o Senado se recusou a reembolsar o ex-senador, como noticiamos.
Entre os principais desafios de se fazer esse tipo de matéria, como qualquer outra, está o de eliminar a zero as possibilidades de erros. Publicadas as três matérias (Senadores pedem reembolso de até R$ 70 mil para tratamento dentário; Casa recebe pedido de Botox e Senado paga plano de saúde até de parlamentar cassado) não houve nenhuma contestação por parte do Senado ou dos citados. A única foi por parte do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que questionou a informação de que ele pediu e teve negado pela a Casa o reembolso para um tratamento de “implante hormonal” de R$ 1.904. Mandamos para ele o documento oficial de autoria do próprio Senado em que constava a informação e mais nada foi falado sobre o assunto.

OPE: Quanto tempo levou entre a apuração e a publicação da matéria?
Erich Decat: Sete dias exclusivos para a matéria.


OPE:  De onde surgiu a pauta? 

Erich Decat: Como disse na primeira resposta, os gastos com saúde dos senadores é uma das “caixas pretas” do Congresso que a maior parte dos jornalistas que cobre política em Brasília tenta ter acesso.


OPE: Quantos profissionais participaram da estruturação da matéria?

Erich Decat: Três. Eu, o repórter Fábio Fabrini e o Editor Luiz Weber.


OPE: Qual foi a primeira fonte de pesquisa? 

Erich Decat: 7.914 arquivos referentes aos gastos com saúde dos senadores e ex-senadores entre 2010 e 2013. Também foram consultados especialistas na área da medicina, odontologia, fonoaudiologia.

OPE: Ao todo, quantas fontes ouvidas?
Erich Decat: Ao menos 15, incluindo o “outro lado”.


(Entrevista produzida como resultado da Etapa 1 da ATPS de Jornalismo Político e Econômico. Alunos: Luciano Beregeno [6891503656], Ricardo Vaz [6814016226], Aline Soares [6275244813], Raquel Silva [6612358809], Jesus Libório[6488323072])

31 de outubro de 2013

[Educação] Alunos promovem ciclo de palestras no IFB

Alunos do Instituto Federal de Brasília promoveram o I Ciclo de Palestras IFB. O evento aconteceu no dia 21 de outubro e contou com a participação do Sebrae e professor convidado.

Hanna Baoli

O professor Fabrício Turturro falou sobre
Atendimento ao Cliente
Na segunda-feira (21), os alunos do curso Organizador de Eventos do Instituto Federal de Brasília (IFB) promoveram o I Ciclo de Palestras IFB. O evento contou com a participação dos professores Fabricio Turturro, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Marcos Duarte, da Faculdade Anhanguera de Brasília. As palestras aconteceram no campus do IFB de Taguatinga Centro, localizado a QSD, Área Especial 1, Edifício Spazio Duo, Pistão Sul.

Acompanhado de Caroline Tavares, da área de cerimonial do Sebrae, o professor Fabrício Turturro falou aos presentes sobre Atendimento ao Cliente. Segundo Fabricio, atender bem os clientes é essencial para que o negócio vá pra frente. “A primeira regra é nunca trazer problemas pessoais para o trabalho. Se eu não atender bem o meu cliente, minha empresa fecha”, disse.

Tratando sobre os Aspectos Teóricos dos Eventos o professor
 Marcos Duarte prendeu atenção dos presentes
Em seguida, o professor Marcos Duarte apresentou os Aspectos Teóricos dos Eventos. Para ele, as pessoas aproveitam os eventos, mas não sabem o que se passa por trás. “Na prática tudo é fácil e bonito, mas ninguém sabe o trabalho que temos para organizar projetos”, afirmou.

Direcionado às turmas de Eventos e Recepcionistas, com o apoio dos alunos e da docente Camila Oliveira, do IFB, a iniciativa agradou aos presentes, que pediram uma segunda edição do ciclo.

21 de outubro de 2013

[Kids BSB] Diversão e arte em um só lugar

Mostra de festas infantis chega a Brasília e encanta pais e filhos. Expositores, atrações, exibição de filmes infantis, brinquedos, personagens famosos, workshops e palestras fizeram parte do evento.

Hanna Baoli

No fim de semana de 19 e 20 de outubro, Brasília recebeu a 1ª Mostra de Festas Infantis – Kids BSB.  O evento aconteceu no Clube do Exército, localizado no Setor de Clubes Sul, e trouxe diversas atrações, oficinas, palestras e muitas novidades. Em sua primeira edição, a Kids BSB. reuniu os principais profissionais do setor de festas e decorações.

Em cada estande uma diversão. Delícias, decorações e inovações para as festas infantis puderam ser observadas e saboreadas nos dois dias de evento. Personagens foram utilizados para atrair a atenção das crianças presentes no local. A alegria e as novidades estavam espalhadas por todo lado e agradaram ao público presente. Muitos pais compareceram à mostra para conhecer as melhores e maiores empresas de entretenimento que realizam de forma animada o aniversário de seus filhos.

Uma das novidades que chamou atenção é uma ideia da Lollipaper, o Candy Car. O carrinho repleto de guloseimas traz ainda uma parceria para que sua festa esteja recheada de doces e cupcakes, tendo a opção de ter dois carros ou apenas um misturando as guloseimas com mini cupcakes. Durante três horas e para a diversão da criançada, o carrinho permanece na comemoração acompanhado de um personagem com o tema escolhido.

Candy Car acompanha personagem com o tema escolhido,
 no evento foi escolhida a Turma do Chaves
Além do Candy Car, Valéria Silveira, criadora e idealizadora do projeto, idealizou a Lollipaper in box. As festas em caixa trazem facilidade e tranquilidade para as mães que não têm tempo de correr atrás de muitos detalhes. Segundo Valéria, a ideia surgiu de uma necessidade particular. “Minha filha queria muito uma festa dos três porquinhos. Pela dificuldade de achar o tema e a falta de tempo acabei fazendo tudo em meu apartamento”, disse.

A caixa traz um kit de festa completo com o tema escolhido, chega na sua casa e basta você abrir e se divertir. Canudos, enfeites, panos para mesa, fitas de decoração, entre outras coisas são recebidas para a comemoração ficar divertida.

O objetivo da 1ª mostra foi apresentar o que existe de mais moderno e inovador nas práticas do segmento de festa infantil. Além de agradar a todos, o evento arrecadou brinquedos que serão doados à instituições carentes. 

14 de outubro de 2013

[Violência] Valentões x Purpurina



Cresce número de agressões contra homossexuais no Brasil. Em 2012 foram 4.851 vítimas de algum tipo de violência. O Distrito Federal registrou aumento de 431,11% em um ano. 


Hanna Bárbara 
Ícaro Andrade 
Luciano Beregeno


Na madrugada do dia 28 de agosto, Silvério Laje Rodrigues – conhecido como Amanda – foi encontrado esfaqueado no seu apartamento, localizado na QNE em Taguatinga Norte. Amanda foi levada ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT) com um pulmão perfurado e cortes nas mãos, após prestar depoimento à polícia civil veio a óbito. O suspeito continua foragido.

Casos como esse são apenas uma estática dos crimes sem solução no Distrito Federal (DF) e no Brasil. Em 2012, foram registradas 3.084 denúncias de violações relacionadas à população de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT).

Os homicídios são apenas um dos lados da violência praticada contra homossexuais no Brasil. A beira das denúncias que jamais chegarão aos registros oficiais, outras agressões crescem e permanecem impunes. 

No início de setembro deste ano, um casal de homossexuais foi “convidado” a se retirar de um Shopping, no centro de Taguatinga (DF), porque trocavam carícias. Nada que ultrapassasse um beijo no rosto, segundo o relato de Daniel Araújo, 20. Diante da atitude dos seguranças do local, o casal procurou a 12ª Delegacia de Polícia Civil de Taguatinga onde tiveram o registro da denúncia negado e a ordem de ir direto ao Ministério Público (MP). Mas nada poderia ser feito sem o boletim de ocorrência. 

Casos como esse não são raros, comumente se tornando regra. O relatório divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) indica que os crimes contra homossexuais no Brasil cresceram 166% em 2012. Segundo a SDH, as denúncias mais comuns foram na ordem, violência psicológica, discriminação e violência física. O mesmo relatório traz ainda um dado preocupante: em 2011, 1.713 homossexuais foram vítimas de algum tipo de violência no País. 

Segundo relatório do Grupo Gay da Bahia, em 2012, o Brasil registrou 336 homicídios contra homossexuais. Destes, 70% não foram resolvidos, entrando para a lista dos crimes impunes.

DF
O Distrito Federal também contribuiu com os índices do relatório. Em um ano, o aumento de casos de violência contra homossexuais na capital da República saltou de 45 em 2011, para 239 em 2012, mais de 400% de crescimento na escala da violência (veja quadro ao lado).

O curioso é que casos como o do casal Daniel e Emanoel - aquele casal maltratado num Shopping Center de Taguatinga de quem falamos há pouco - não aparecem nas estatísticas, pois não chegaram a ser registrados. O Estado brasileiro não sabe o que aconteceu com eles. Aos marginalizados e excluídos, muitas vezes resta o caminho da depressão e do suicídio, vítimas da pressão psicológica. A esperança é que a divulgação anual dos dados, mude essa realidade.

Segundo Gustavo Bernardes, coordenador geral de Promoção dos Direitos LGBT da SDH, o relatório pode atuar no sentido de trazer a questão à discussão pública. “Este é um instrumento fundamental para o enfrentamento a violação e promoção dos direitos LGBT”, disse ele em entrevista, na apresentação do relatório.

Quanto ao assassinato do travesti Amanda, citado no início da reportagem, o caso continua sem solução e, segundo o delegado, não existem pistas sobre o suspeito.

2 de outubro de 2013

[Violência] Cresce número de agressões contra homossexuais no Brasil

Em 2012 foram 4.851 vítimas de algum tipo de violência. O Distrito Federal registrou aumento de 431,11% em um ano.


Protesto contra a homofobia em Brasília

Hanna Bárbara
Ícaro Andrade
Luciano Beregeno

Passava pouco mais da meia noite e meia quando o travesti Amanda – identidade de gênero de Silvério Laje Rodrigues – foi esfaqueado em seu apartamento, na QNE em Taguatinga. Levado ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT) com um pulmão perfurado e cortes nas mãos, ele ainda teve tempo de prestar depoimento à polícia civil. Mas morreu logo depois. O caso aconteceu numa quarta-feira 28 de agosto e até hoje o suspeito de assassinar Amanda, continua foragido.

Amanda seria apenas uma estatística nos relatórios oficiais do poder público, não fossem outras inúmeras Amanda’s que aguardam a solução dos crimes dos quais foram vítimas, amarelando nas gavetas das delegacias do Distrito Federal (DF) e do Brasil. Em 2012, o Brasil registrou 336 homicídios contra homossexuais. Destes, 70% não foram resolvidos, entrando para a lista dos crimes impunes apontados pelo Relatório 2012 de Assassinato de Homossexuais no Brasil, elaborado pelo Grupo Gay da Bahia.

Mas homicídios são apenas um dos lados da violência praticada contra homossexuais no Brasil. No limbo das denúncias que jamais chegarão aos registros oficiais, outras agressões crescem e permanecem impunes. 

No início de setembro deste ano, num grande shopping de Taguatinga – região administrativa do Distrito Federal – um casal de homossexuais masculinos foi “convidado” a se retirar do local porque trocavam carícias. Nada que ultrapassasse um beijo no rosto, segundo o relato de Daniel Araújo, 20. Indignados com a postura dos seguranças do local, o casal procurou a 12ª Delegacia de Polícia Civil de Taguatinga. Diante da negativa do delegado plantonista em registrar a denúncia, eles foram orientados a procurar o Ministério Público (MP). “Na hora achei que seria mais rápido no MP, pois abriríamos um processo contra o estabelecimento”, conta uma das vítimas. O problema é que apenas quando chegaram ao MP perceberam que a denuncia deveria ter sido registrada, pois precisariam do boletim de ocorrência para dar continuidade ao procedimento.

Casos como esse não são raros, comumente se tornando regra. O relatório divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) indica que os crimes contra homossexuais no Brasil cresceram 166% em 2012. Segundo a SDH, as denuncias mais comuns foram na ordem, violência psicológica, discriminação e violência física. 

O mesmo relatório traz ainda um dado preocupante: em 2011, 1.713 homossexuais foram vítimas de algum tipo de violência no País. Esse número cresceu em 2012, chegando a 4.851 vítimas, um aumento de 183,19%.

DF

O Distrito Federal também contribuiu com os índices do relatório. Em um ano, o aumento de casos de violência contra homossexuais na capital da República saltou de 45 em 2011, para 239 em 2012, mais de 400% de crescimento na escala da violência (veja quadro ao lado).

O curioso é que casos como o do casal Daniel e Emanoel - aquele casal maltratado num Shopping Center de Taguatinga de quem falamos há pouco - não aparecem nas estatísticas, pois não chegaram a ser registrados. O Estado brasileiro não sabe o que aconteceu com eles. Aos marginalizados e excluídos, muitas vezes resta o caminho da depressão e do suicídio, vítimas da pressão psicológica. A esperança é que a divulgação anual dos dados, mude essa realidade.

Segundo Gustavo Bernardes, coordenador geral de Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT) da SDH, o relatório pode atuar no sentido de trazer a questão à discussão pública. “Este é um instrumento fundamental para o enfrentamento a violação e promoção dos direitos LGBT”, disse ele em entrevista, na apresentação do relatório.

Quanto ao assassinato do travesti Amanda, citado no início da reportagem, o caso continua sem solução e, segundo o delegado, não existem pistas sobre o suspeito.

30 de setembro de 2013

[Parque Águas Claras] O espaço da qualidade de vida


Com atividades que vão da caminhada a Yoga, a reserva, cravada numa das áreas mais movimentadas da cidade, é um convite aos amantes dos exercícios ao ar livre e da meditação 


A área é o local de encontro de quem busca o parque
para a realização de atividades físicas
Raquel Rolim
Rodrigo Soares
Rodrigo Vilela
 

Localizado às margens da Avenida Castanheiras, em Águas Claras, a reserva ecológica recebe em média quatro mil pessoas de diversas regiões do DF, que visitam a área para interagir com a natureza. Grupos de Yoga e o projeto Ginástica nas Quadras são exemplos de iniciativas que garantem doses de exercício durante toda a semana.

Maria de Fátima Sousa, instrutora e uma das criadoras do grupo de Yoga no parque, procurou as atividades físicas por recomendação médica: “Depois que comecei a praticar exercícios no parque e o Yoga eu reduzi a quantidade de calmantes, antidepressivos e pílulas para abaixar a pressão”.

O grupo começou a se reunir no parque há cerca de dois anos junto ao projeto Ginástica nas Quadras, com o intuito de trazer melhorias no lazer, saúde e autoestima na terceira idade. A iniciativa veio de uma vontade de ajudar e fazer o bem a pessoas idosas dando atenção, carinho e ajudando a relaxar. “O Yoga não só relaxa, acalma quanto melhora a concentração e paciência para muitos deles”, conta Maria de Fátima.

Para participar basta ir até o parque nos horários de 6h30 ás 8h de segunda a sexta-feira e levar um colchonete. Não há limite de idade. É recomendável para gestantes e a todos que desejam iniciar o dia de bem com a vida e mais tranquilo.