Cresce número de agressões contra homossexuais no Brasil. Em 2012 foram 4.851 vítimas de algum tipo de violência. O Distrito Federal registrou aumento de 431,11% em um ano.
Hanna Bárbara
Ícaro Andrade
Luciano Beregeno
Na madrugada do dia 28 de agosto, Silvério Laje Rodrigues – conhecido como Amanda – foi encontrado esfaqueado no seu apartamento, localizado na QNE em Taguatinga Norte. Amanda foi levada ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT) com um pulmão perfurado e cortes nas mãos, após prestar depoimento à polícia civil veio a óbito. O suspeito continua foragido.
Casos como esse são apenas uma estática dos crimes sem solução no Distrito Federal (DF) e no Brasil. Em 2012, foram registradas 3.084 denúncias de violações relacionadas à população de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT).
Os homicídios são apenas um dos lados da violência praticada contra homossexuais no Brasil. A beira das denúncias que jamais chegarão aos registros oficiais, outras agressões crescem e permanecem impunes.
No início de setembro deste ano, um casal de homossexuais foi “convidado” a se retirar de um Shopping, no centro de Taguatinga (DF), porque trocavam carícias. Nada que ultrapassasse um beijo no rosto, segundo o relato de Daniel Araújo, 20. Diante da atitude dos seguranças do local, o casal procurou a 12ª Delegacia de Polícia Civil de Taguatinga onde tiveram o registro da denúncia negado e a ordem de ir direto ao Ministério Público (MP). Mas nada poderia ser feito sem o boletim de ocorrência.
Casos como esse não são raros, comumente se tornando regra. O relatório divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) indica que os crimes contra homossexuais no Brasil cresceram 166% em 2012. Segundo a SDH, as denúncias mais comuns foram na ordem, violência psicológica, discriminação e violência física. O mesmo relatório traz ainda um dado preocupante: em 2011, 1.713 homossexuais foram vítimas de algum tipo de violência no País.
Segundo relatório do Grupo Gay da Bahia, em 2012, o Brasil registrou 336 homicídios contra homossexuais. Destes, 70% não foram resolvidos, entrando para a lista dos crimes impunes.
O Distrito Federal também contribuiu com os índices do relatório. Em um ano, o aumento de casos de violência contra homossexuais na capital da República saltou de 45 em 2011, para 239 em 2012, mais de 400% de crescimento na escala da violência (veja quadro ao lado).
O curioso é que casos como o do casal Daniel e Emanoel - aquele casal maltratado num Shopping Center de Taguatinga de quem falamos há pouco - não aparecem nas estatísticas, pois não chegaram a ser registrados. O Estado brasileiro não sabe o que aconteceu com eles. Aos marginalizados e excluídos, muitas vezes resta o caminho da depressão e do suicídio, vítimas da pressão psicológica. A esperança é que a divulgação anual dos dados, mude essa realidade.
Segundo Gustavo Bernardes, coordenador geral de Promoção dos Direitos LGBT da SDH, o relatório pode atuar no sentido de trazer a questão à discussão pública. “Este é um instrumento fundamental para o enfrentamento a violação e promoção dos direitos LGBT”, disse ele em entrevista, na apresentação do relatório.
Quanto ao assassinato do travesti Amanda, citado no início da reportagem, o caso continua sem solução e, segundo o delegado, não existem pistas sobre o suspeito.

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